Amarelo-bronze no sinos das igrejas reluzem nas praças malvas; A cor das aves selvagens, a pelugem das araras; O velho trem na paisagem de trilhos abandonados crescem flores amarelas ao seu redor; os homens-formigas a semear o doiro das moedas; o esplendor dos ipês nas serras; Amarantas as mangas dos meninos mestiços penduradas nos ombros por redes amarelas; O ferrugem nos barcos ancorados de Itacimirim se misturam com verdes algas; Ama as nuances do laranja nos lençóis dos fins das tardes, se enfeita no espelho dos horizontes nos mares e dança com a areia enganando as ondas; Amarelo nas mulheres rezadeiras das 18 horas; Ave-Maria dourada e límpida nas orações; Amarelas são as folhas de outono como as cinzas da fênix; No calor do verão a abraçar a pele do mundo e dos bichos; Amarelo-perfume dos crisântemos nos cemitérios; Na boca das abelhas produzindo o mel; Na parede bege da casa silenciosa onde passeiam lagartixas , aranhas e memória da infância; Ah! Amarela é a esperança no sangue nas veias dos homens; Do rude ao barroco, amarelo; O capim-dourado nos brincos das meninas vaidosas; As mãos macias do dia despertando-nos sorrateiras; Amarelo é o silêncio dos mosteiros e estábulos, nos trigais, nas pausas sábias das palavras do meu pai; Na beleza-cobre da minha mãe; Amarela é a música etérea de Alex Mesquita; A energia do movimento à procura dos passos nas estepes do tempo; Na palha idosa dos coqueirais da Bahia; Na chama de Bramma em todas as coisas lançadas na terra, o sândalo desdourando enquanto pinga a paz no vitral, êi-lo que jaz nos lábios da noite para dar o lugar ao azul sereno.
lunes, 22 de marzo de 2010
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